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terça-feira, 12 de junho de 2012

Arapuca- PB

"Giga Brow : - Senna Vai entrar um swell, vem pra cá.

Senna : - To chegando..."





 Destino, Arapuca, extremo sul da cidade de João Pessoa-PB. Praia pouco visitada por banhistas, mas muito adorada pelos surfistas e bodyboarders que por ali frequentam. 
Sua localidade é de difícil acesso, quase uma trilha, morro íngreme, em volta protegida por enormes fendas com pouca vegetação.

 Areia grossa e pesada, estendida por toda a margem, dependendo do horário da maré é claro.
O mar é extremamente forte, porém pequeno, as ondas formam a quase seis metros da faixa da areia e arrebentam a aproximadamente dois metros da mesma.
As ondas são especificas para a pratica do Bodyboarding, pois além de serem pesadas e fortes, cavam, formando um assustador e rápido tubo.

 Os atletas locais que fazem dali seus refúgios de prazeres, a maioria bodyboarding, de potencial notável, formam uma excelente equipe, tendo em especial o atleta profissional Guilherme Mesquita, o qual numa competição em Niterói desbancou o "cara" que inventou a maioria das manobras do esporte, Mike Stewart.
Também vale lembrar os que não são profissionais, mas que levam a parada a serio e com muito amor.

 Por fim, estou muito grato a todos que fizeram daquele repetido final de semana um enorme canhão de surpresas. Agradeço ao Giga Brow por estar lado a lado, ao Onofre e ao Mike  por terem feito todo o corre dos equipamentos. E da próxima vez tentarei ficar todo um final de semana.

Foto: Mike


quarta-feira, 30 de maio de 2012

A curta historia de um pobre granadeiro e regadora de trincheiras.




Os vasos das plantas estão quase vazios, ele prefere assim. Ela não. Rega toda manhã para cultivar e manter as que restam.
 Ele se contenta com tudo, ela, dá o seu melhor e sonha com torres altas, navios, horizontes, casamento.

 Cinzeiros sobre o tapete, cheios de pontas envelhecidas de cigarros, cocaína espalhada sobre os corpos do outro casal ainda adormecido, revirados, envoltos num cobertor corroído pelas traças.

 Um livro rasgado, uma cópia, agora inútil do Humano Demasiado Humano. Ele a insulta por ficar tão longe, quando a resposta para todos os seus problemas é apenas a presença dela, ela, esconde o sorriso num mesmo movimento em que rebaixa a cabeça e a esconde no peito dele. Ela diz que o ama e ele a ama também.



sábado, 19 de maio de 2012

Ode a Augusto dos anjos e as eternas Quimeras de cada alvorecer.


Logo percebe que as feras se contorcem nos arbustos a espreita-lo, num caminho que só a ele interessa. Elas se aproximam, balançam o rabo, se fingem de morta, rolam por cima das folhas, mas mesmo assim não retém à atenção do nobre homem.

De surpresa, já quando chegava perto da ponte, que dava para o seu chalé, é tomado por um sorriso ímpar entre as feras, mas quando se aproxima para acariciar o doce felino, sente um arder, profundo, nota que enfurecidas presas cravadas no seu robusto corpo. Aos gritos, que ecoam por toda floresta, se vê agora sem um braço.  As feras se sentem providas de um bom pedaço de carne, em seguida, o nobre homem move-se pausadamente para uma caverna bem embaixo de uma arvore já quase aniquilada pelo intenso inverno e assiste a todas as famintas feras devorarem seu braço.



Assim permanece até adormecer, imagina que está sobre uma coluna suspensa nas nuvens, equilibrada por pedaços de corpos amontoados. Entre tantos restos mortais, como, tórax, cabeças, reconhece seu braço, ainda com o relógio que sua mãe havia li dado, dias antes de morrer.

Aproxima-se, retira seu braço com esforço, com isso desequilibra a coluna, mas antes de ouvir tamanho impacto ao chão, que mesmo ainda de nuvens fazia um tremendo barulho, se vê novamente agora arrastado para o covil das feras onde admira cada pedaço seu sendo arrancado por famintas mordidas. Chateia-se com os filhotes ao brincarem com seus dedos, com leve mordidas, a qual o faz rir, e rir naquele momento era provocar mais ainda as esfomeadas feras.
E por fim, tudo acaba quando seus olhos são devorados.


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Eu sinto medo.



Como um oceano fundo, vivo, me afundo nos teus seios e te faço sussurrar palavras que ainda não entendo. Com os olhos fechados você me diz pra continuar, submerso no mar. Já sem o mastro os navios fogem a esmo na tempestade feroz de meus dentes a perfurar a carne virgem. Com minhas mãos suspendo teu corpo febril.

Ouvimos passos, vozes, mas nada impede de continuarmos a navegar no oceano que tu tanto desejas. Já quase sem oxigênio, tateio os cabelos. Suas unhas cravam com tal ferocidade e desejo nos meus peitos, já descobertos. Rapidamente, quando desço pra ver as maquinas, de súbito te ouço gritar:  -Não, por favor!

 Ainda a esmo, agora por sua vontade, me perco ao redor das curtas e grossas coxas. Com o joelho escancarado e livre pra fechar a qualquer disparato dos meus dedos.
Por fim, ancoramos as margens de longos suspiros, onde já cansados de remar queimamos nossos remos.
 A tempestade que te toma todo o dia virá mais tarde hoje.

Nota: A música é aquela do filme, que por ironia do destino tocou, assim quando entrei na sala.
Duffy- I'm Scared.